O Lobisomem (2010)
Título Original: The Wolfman
Gênero: Drama, Terror, Ficção Científica, Suspense
Data de Lançamento: 2010-02-11 Veja outras estreias de Fevereiro 2010
Ambientado na Inglaterra vitoriana, Lawrence Talbot (Del Toro) retorna ao castelo de seu pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins), onde se apaixona pela bela Gwen Conliffe (Emily Blunt). Mas, após ser mordido por um lobisomem, Lawrence passa a viver a terrível maldição.
Ambientado na Inglaterra vitoriana, Lawrence Talbot (Del Toro) retorna ao castelo de seu pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins), onde se apaixona pela bela Gwen Conliffe (Emily Blunt). Mas, após ser mordido por um lobisomem, Lawrence passa a viver a terrível maldição.
Diretor: Joe Johnston
Atores principais: Art Malik, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Geraldine Chaplin, Benício Del Toro
Produtor: Mary Parent, Benício Del Toro
Escritor: Andrew Kevin Walker, David Self
Editor: Dennis Virkler
Música: Danny Elfman
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Cine Players - G. Euzebio
Filmes com estreia adiada sempre causam desconforto geral na crítica especializada. O que terá acontecido? Quais motivos comerciais teriam dissuadido os produtores a lançá-lo? Em tempos de Avatar e novos rumos para o cinema comercial com aposta forte em 3D, a refilmagem de O Lobisomem poderia ser facilmente engolida nas bilheterias, partindo daí direto para o limbo do esquecimento.
Tudo porque Joe Johnston (diretor, entre outros, de Querida, Encolhi as Crianças e Jurassic Park III) manteve a visualidade do filme fiel a aspectos do cinema de terror das décadas de 1930/40, período em que foi produzida a versão de George Waggner para a história do lobisomem na qual ele se baseou. Se a versão de 1941 é vista hoje como datada devido a questões técnicas há muito ultrapassadas, Johnston resgata a essência desse cinema de horror e atualiza o clássico utilizando efeitos digitais com precisão para sustentar a estética retrô de seu filme.
Todo um clima lúgrebre de uma Leia mais Filmes com estreia adiada sempre causam desconforto geral na crítica especializada. O que terá acontecido? Quais motivos comerciais teriam dissuadido os produtores a lançá-lo? Em tempos de Avatar e novos rumos para o cinema comercial com aposta forte em 3D, a refilmagem de O Lobisomem poderia ser facilmente engolida nas bilheterias, partindo daí direto para o limbo do esquecimento.
Tudo porque Joe Johnston (diretor, entre outros, de Querida, Encolhi as Crianças e Jurassic Park III) manteve a visualidade do filme fiel a aspectos do cinema de terror das décadas de 1930/40, período em que foi produzida a versão de George Waggner para a história do lobisomem na qual ele se baseou. Se a versão de 1941 é vista hoje como datada devido a questões técnicas há muito ultrapassadas, Johnston resgata a essência desse cinema de horror e atualiza o clássico utilizando efeitos digitais com precisão para sustentar a estética retrô de seu filme.
Todo um clima lúgrebre de uma Inglaterra que estava abandonando os campos em troca da vida nas cidades, que nasciam da indústria movida à carvão e fuligem, coroam a história do filho pródigo que retorna à casa do pai diante da morte do irmão mais velho. Construindo a psicologia de Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) entre o rancor que guarda do pai, Sir John (Anthony Hopkins), e a idéia das multi-personalidades de um ator teatral, num tempo em que a profissão ainda sofria muitos preconceitos ligados à loucura e à afetação, Johston fundamenta o retorno deste personagem a um cenário já cheio de conflitos, antes mesmo que a maldição das luas-cheias se apresentasse à ele.
Investigando a morte do irmão, sob a perspectiva de um brutal assassinato que poderia estar ligado a uma comunidade de ciganos que vive nas redondezas da cidade, Lawrence entra em contato com os elementos desconhecidos, e portanto, não totalmente compreendidos de uma história que desafia a razão de sua época. Ao ser atacado por um animal ferroz e salvo pela curandeira cigana, o protagonista passa a sofrer perturbações de ordem psico-física que afloram na presença da bela noiva de seu irmão, Gwen (Emilly Blant).
Interessante como a perspectiva mostrada pelo filme ligue a ideia do desconforto da fera em contraponto à presença feminina, sendo Gwen o elo que desperta em pai e filho à lembrança da antiga tragédia da morte da mãe, situação que os afastou definitivamente. Na clássica história de A Bela e a Fera vemos a docilidade da mocinha transformar o coração do monstro, enquanto em O Lobisomem a bestialidade da fera impede qualquer possibilidade de aproximação entre os dois que não seja trágica.
Nesse tom de maldição de família e tragédia anunciada, Lawrence passa a ser perseguido e é internado num sanatório em que se acredita poder dissuadi-lo da idéia de ter se tornado um monstro. Aqui o diretor aproveita o circo montado para expôr Lawrence como louco, e produz uma cena de transformação de homem em lobo na qual é possível sentir o desconforto das mudanças físicas que tomam conta do personagem. E esta é uma cena de aposta, é conquistar ou perder o espectador, que hoje tem os olhos acostumados a efeitos digitais e não se satisfaz com pouco.
Benicio Del Toro e Anthony Hopkins marcam o duelo final de seus personagens com uma cena que resume a estética do filme: num cômodo da casa decadente, à luz da lareira que ajudará a provocar o incêncio que vai enterrar a maldição dos Talbot, dois homens transformados em animais lutam para decretar que apenas um deles pode continuar. E Hopkins rasgando a camisa e mostrando o peito ao adversário pode soar engraçado, e ter sido pensado apenas como efeito para ajudar o espectador a reconhecer quem é quem debaixo das máscaras e maquiagens, mas resume também uma moral masculina ligada à animalidade que nos filmes indies e fofos de hoje não haveria motivo para expressar.
Sujo, escuro, com vísceras expostas e sangue por todo lado, O Lobisomem faz com que, através do cinema, façamos uma viagem a um passado estético que nossa ansiedade pelo futuro tem nos impedido de aproveitar desde que nos ensinaram a estar atentos e prontos a apontar o dedo a tudo que não seja atual ou virtual.
Fonte: Cine Players - G. Euzebio Cineclick - Heitor Augusto
O Lobisomem tenta se agarrar a um fiapo de história para sustentar um filme de monstro sobre o tradicional mito do homem que sob a lua cheia, exatamente à meia-noite, toma a animalesca forma de lobo que ataca até mesmo as pessoas que gosta.
O filme de Joe Johnston (Mar de Fogo) é um divertimento irregular e podemos colocar a culpa no roteiro, direção, efeitos especiais e especialmente na sua proposta principal: assustar. Sim, você vai sair do cinema com a garantia de ter passado alguns sustos, mas depois do terceiro momento de silêncio, já fica óbvio que alguma patada violenta vai tomar a tela para tentar te tirar da cadeira.
O Lobisomem é construído em cima de outras obviedades. Ao voltar para casa depois de um longo tempo, Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) encontra o pai, sir John Talbot (Anthony Hopkins), e a mulher de seu irmão, Gwen (Emily Blunt). No início, a trama procura esconder a relação que vai se estabelecer entre os três.
Porém, Johnston e muito Leia mais O Lobisomem tenta se agarrar a um fiapo de história para sustentar um filme de monstro sobre o tradicional mito do homem que sob a lua cheia, exatamente à meia-noite, toma a animalesca forma de lobo que ataca até mesmo as pessoas que gosta.
O filme de Joe Johnston (Mar de Fogo) é um divertimento irregular e podemos colocar a culpa no roteiro, direção, efeitos especiais e especialmente na sua proposta principal: assustar. Sim, você vai sair do cinema com a garantia de ter passado alguns sustos, mas depois do terceiro momento de silêncio, já fica óbvio que alguma patada violenta vai tomar a tela para tentar te tirar da cadeira.
O Lobisomem é construído em cima de outras obviedades. Ao voltar para casa depois de um longo tempo, Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) encontra o pai, sir John Talbot (Anthony Hopkins), e a mulher de seu irmão, Gwen (Emily Blunt). No início, a trama procura esconder a relação que vai se estabelecer entre os três.
Porém, Johnston e muito menos a montagem de Walter Murch e Dennis Virkler, não conseguem manter o ritmo impresso no início. A história vai para quinto plano, os desfechos começam a mostrarem-se óbvios e O Lobisomem abusa das cabeças cortadas.
Afirmar isso não é um desejo puritano e moralista para reclamar da violência, mas apontar a incompetência no comando do filme. Johnston opta sempre por mostrar, até o limite, sejam órgãos arrancados de um corpo ou garras atravessando o rosto. Quando se atrapalha com o desenvolvimento da história, a maneira que encontra é encadear ataques do lobisomem.
Johnston sabe o que fazer com a violência e com o susto, mas descuida do desenvolvimento da história e, pior, é completamente negligente com a direção de atores. No papel de pai malvado que não consegue controlar seu dark side, Anthony Hopkins parece mais estar na pele de Hannibal. Já o personagem de Emily Blunt não passa de muleta para resolver a trama e acrescentar uma pitada de romance.
Já Benicio Del Toro é bem canastrão como o assustador lobisomem e parte da culpa é de algumas banais frases que é obrigado a dizer (“você fez o que tinha de ser feito”). Desperdício de talento.
O Lobisomem não é apenas inferior ao original de 1941. É um filme fraco e não precisa nem ser comparado com outros filmes de monstros para apontarmos seus defeitos. É incompetente por si só.
Fonte: Cineclick - Heitor Augusto
Clichê. Palavra geralmente confundida com “previsível”. Quando o resultado de uma história é aquele mais do que esperado, o carimbo com as seis letrinhas é pressionado sobre ela. O Lobisomem, nova versão do clássico outrora escrito por Curt Siodmak e, agora, dirigido por Joe Johnston (dos divertidos Jumanji, Querida, Encolhi as Crianças e do descartável Jurassic Park III), não é previsível, é clichê mesmo (na verdade, chega a ser, de fato, um tanto previsível quando já se espera um próximo clichê uivadas intermináveis a frente).
Não há diferenças ou grandes adaptações, por assim dizer. A trama de O Lobisomem, de tão simples que é, já está integrada ao conhecimento geral por absorver rasamente o personagem folclórico. Fazendo as vezes dos roteiristas Andrew Walker e David Self (ou seja, simplificando), a trama é básica, quase sinóptica. Novas idéias, remodelagens ou recaracterização psicológica de personagens estão de fora. O atual filme do ho Leia mais Clichê. Palavra geralmente confundida com “previsível”. Quando o resultado de uma história é aquele mais do que esperado, o carimbo com as seis letrinhas é pressionado sobre ela. O Lobisomem, nova versão do clássico outrora escrito por Curt Siodmak e, agora, dirigido por Joe Johnston (dos divertidos Jumanji, Querida, Encolhi as Crianças e do descartável Jurassic Park III), não é previsível, é clichê mesmo (na verdade, chega a ser, de fato, um tanto previsível quando já se espera um próximo clichê uivadas intermináveis a frente).
Não há diferenças ou grandes adaptações, por assim dizer. A trama de O Lobisomem, de tão simples que é, já está integrada ao conhecimento geral por absorver rasamente o personagem folclórico. Fazendo as vezes dos roteiristas Andrew Walker e David Self (ou seja, simplificando), a trama é básica, quase sinóptica. Novas idéias, remodelagens ou recaracterização psicológica de personagens estão de fora. O atual filme do homem que se transforma em besta se limita unicamente a refilmar um produto antigo e tão desgastado quanto os elementos que coloca em pauta. O resultado é um emaranhado de falhas que estampam o quanto estavam desencorajados os seus produtores. Faltou audácia.
Benicio Del Toro (aqui irrelevante se comparado às suas atuações em longas anteriores) é Lawrence Talbot, um ator inglês do final do século XIX que vai até um vilarejo onde mora sua antiga família em busca de pistas sobre o assassinato brutal de seu irmão. Lá, além do pai de afetos questionáveis (Anthony Hopkins), encontra sua cunhada, Gwen (Emily Blunt, à caminho de um bom trabalho), que deseja mais do que tudo saber a verdade, assim como Lawrence. Logo se descobre a existência de um lobisomem no vilarejo e, em uma noite de caçada às respostas, Lawrence é atacado, mordido e passa a carregar a maldição cujo único fim se dará através de um grande amor ou uma bala de prata. Não passa disso. O resto é um conjunto de situações idênticas às já amplamente vistas em seja lá que tipo de filmes, permeadas por frases idem com comandos do tipo “Vá, fuja… Eu jamais me perdoaria se [neste ponto você já adivinhou o final da frase] eu fizesse algo de ruim a você”. Daí para o final dos 102 minutos de projeção, não muda muita coisa.
Mas O Lobisomem tem força; bruta e autodestrutiva, mas tem. Poucos filmes são tão nocivos a si mesmos quanto este, numa problemática que se estende até a técnica fraca que, às vezes, pode passar despercebida pelo requinte da direção de arte. A sonoplastia se propõe a causar nos ouvidos os sustos que o componente visual não é capaz. Mesmo assim, o efeito só alcança realidade com os mais desavisados e, de qualquer forma, perde o impulso a partir da metade, quando já se tornou mais clichê do que já era na abertura do filme (também fraquíssima, diga-se de passagem), se é que isso é possível. Quando já não se espera mais nada deste elemento, há o abuso em atribuir a animais empalhados os seus respectivos sons. A fotografia se aproveita de olhares menos atentos e tenta projetar na neblina o brilho do luar que vem de canhões de luz do chão. Já a maquiagem, em certos momentos de descuido em averiguar até que ponto da captação de imagens a prótese sem posterior computação é viável, alcança o mesmo realismo nas mandíbulas do animal que os monstros de séries televisivas antigas, mas se dá bem em incrementar Del Toro na sua primeira cena após a noite de estreia como lobisomem. Já os efeitos visuais até colaboram na medida do possível, fazendo da cena de transformação no hospício (que também não escapa de pinceladas aqui e ali de comicidade e desgaste) um dos poucos destaques do longa, em companhia das boas sequências de assassinato que pela primeira vez levam o animal às vias de fato, devorando brutalmente desde caçadores a simples pedestres.
Se a finalidade de O Lobisomem era reprisar com a boa técnica atual uma antiguidade do cinema, a missão foi cumprida, mesmo que pela metade. Mas se havia algum interesse por parte Joe Johnston e Benicio Del Toro (que também assina como um dos produtores da fita) em reestruturar o conceito para atingir algum sucesso (algo como tem feito os reboots), isto se perdeu nas linhas de um roteiro que mal soube praticar uma história sedenta por novidade e desejosa de extrações de seus repetecos. Pode descer o carimbo.
Fonte: Pipoca Combo - A. Melo
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