Quem conhece um pouco de cinema sabe o que esperar a cada novo filme de Nancy Meyers. Ao longo da última década, a roteirista/diretora se especializou em realizar comédias românticas despretensiosas, presas à fórmulas, com alguns astros como chamarizes do grande público. Foi dessa forma em Do que as Mulheres Gostam, Alguém Tem que Ceder e O Amor Não Tira Férias. Assim, ninguém vai entrar no cinema para assistir Simplesmente Complicado, seu mais novo trabalho, esperando mais do que duas horas de diversão descompromissada e de uma história agradável. Felizmente, Simplesmente Complicado entrega o que promete sem maiores percalços.
O filme conta a história de Jane Adler, uma mulher em torno de seus cinqüenta anos que finalmente começa a conviver bem com o fato de ter sido trocada pelo marido. O sujeito em questão atende pelo nome de Jake, e deixou Jane para viver com uma mulher mais nova. Dez anos após a separação, o ex-casal passa uma noite juntos na formatura de Leia mais Quem conhece um pouco de cinema sabe o que esperar a cada novo filme de Nancy Meyers. Ao longo da última década, a roteirista/diretora se especializou em realizar comédias românticas despretensiosas, presas à fórmulas, com alguns astros como chamarizes do grande público. Foi dessa forma em Do que as Mulheres Gostam, Alguém Tem que Ceder e O Amor Não Tira Férias. Assim, ninguém vai entrar no cinema para assistir Simplesmente Complicado, seu mais novo trabalho, esperando mais do que duas horas de diversão descompromissada e de uma história agradável. Felizmente, Simplesmente Complicado entrega o que promete sem maiores percalços.
O filme conta a história de Jane Adler, uma mulher em torno de seus cinqüenta anos que finalmente começa a conviver bem com o fato de ter sido trocada pelo marido. O sujeito em questão atende pelo nome de Jake, e deixou Jane para viver com uma mulher mais nova. Dez anos após a separação, o ex-casal passa uma noite juntos na formatura de um dos filhos, o que faz com que Jake volte a ter sentimentos pela esposa de outros tempos. Ao mesmo tempo, Jane conhece o arquiteto Adam, de quem começa a gosta, o que deixa a situação ainda mais complicada.
Simplesmente Complicado é, sem dúvidas, o melhor trabalho da carreira de Nancy Meyers. Seus filmes anteriores sempre seguiram uma estrutura óbvia, começando como comédia para, em sua segunda metade, resvalar para o drama, gênero no qual ela demonstrava mão pesada e forte tendência para o melodrama. Em Simplesmente Complicado, o caso é diferente. Meyers consegue atingir dessa vez um ótimo equilíbrio entre o lado cômico e o emocional, mesclando-os de maneira hábil do princípio até o final. Não há mudanças abruptas de tom ao longo da projeção, em uma clara amostra de sua evolução como cineasta. Como resultado, Simplesmente Complicado é um filme que flui de maneira agradável, sem jamais perder o ritmo ou a qualidade.
A maior conquista de Meyers talvez seja realmente no que diz respeito à comédia. Simplesmente Complicado possui momentos genuinamente engraçados, originados das mais diversas fontes: das atuações, dos diálogos ou simplesmente de gags visuais. Praticamente todas as piadas do filme funcionam – algumas, claro, melhores que outras –, o que, além de contribuir para a construção de uma experiência prazerosa, ainda facilita a identificação dos personagens com a plateia. É difícil não gostar de pessoas quando nos divertimos com elas e, assim que o espectador se sente à vontade com Jane, Jake, Adam e o resto dos personagens, a história é “vendida” com muito mais facilidade.
E grande parte disso se deve ao impecável elenco. Mesmo que este seja o momento no qual Meyers surja mais madura e criativamente inspirada, é difícil não apontar os atores como o maior trunfo de Simplesmente Complicado. Elogiar Meryl Streep já se tornou um chavão, mas é preciso tirar o chapéu para a versatilidade e o talento da veterana atriz. Streep vai da comédia ao drama sem qualquer esforço, brilhando nos dois gêneros, ao mesmo tempo em que consegue desenvolver sua personagem. Enquanto isso, Alec Baldwin demonstra (como o faz na série 30 Rock) que se tornou um excelente ator de comédia, gerando risadas com um timing impecável. Mais do que isso, os dois constroem personagens carismáticos e, principalmente, possuem excelente química, protagonizando juntos alguns dos melhores momentos do filme.
Ao mesmo tempo, John Krasinski brilha em pequenos e inspirados momentos, enquanto Steve Martin aparece bastante contido em seu papel, realmente deixando as risadas a cargo de Streep e Baldwin – ainda que tenha seus momentos, como a cena do baseado. Martin, porém, é eficientíssimo ao compor um personagem que convence a plateia de que pode ser um interesse amoroso à Jane, formando o triângulo que é o centro do enredo. Aliás, é aí que mora uma das principais qualidades do trabalho de Meyers: ela jamais faz a plateia escolher por Jake ou Adam, preferindo mostrar que os dois têm muito a oferecer para Jane. Dessa forma, Simplesmente Complicado ganha uma imprevisibilidade que não é comum às comédias românticas, uma vez que a dúvida sobre quem será o escolhido da personagem de Meryl Streep permanece até o final.
Este, aliás, é outro acerto do trabalho de Nancy Meyers. Ainda que o filme não passe de um produto e, portanto, preso a fórmulas para cair no gosto do grande público, há uma honestidade e um respeito no tratamento aos personagens. A cineasta parece cuidar para que eles não percam a personalidade construída durante o filme graças a algumas conveniências do roteiro. Claro que, por vezes, impera um certo exagero nas reações, principalmente com o objetivo de gerar risadas. Mas, se as risadas realmente surgem, quem vai reclamar? Esta característica do roteiro pode ser percebida também na resolução da história: ainda que possa desagradar a alguns, ela é, de certa forma, a única possível, coerente com tudo o que havia sido apresentado até então.
Nem tudo, porém, são flores. Meyers não consegue fugir de algumas superficialidades e resvala em lugares-comuns. Por exemplo, mostrar o sprinkler como metáfora para o sexo é um recurso que já foi utilizado até mesmo em sátiras, enquanto o encontro no qual alguém fica esperando é um clichê presente em nove de cada dez comédias românticas. Ao mesmo tempo, persiste a abordagem unidimensional no tratamento dos personagens secundários, como a nova esposa de Jake, assim como algumas soluções temáticas fazem pouco sentido, surgindo apenas para gerar conflito na trama – é o caso, por exemplo, da reação exagerada dos filhos quando descobrem o caso dos pais.
Simplesmente Complicado está longe de ser um grande filme, mas possui em elenco afiado, personagens carismáticos, cenas engraçadas e uma história que, se não brilhante, ao menos funciona sem percalços. Não deixa de ser uma obra com objetivos comerciais, mas, quando a outra opção do gênero nos cinemas é o execrável Idas e Vindas do Amor, um filme tão bem realizado quanto esse merece uma olhada. Ponto para Meyers.
Fonte: Cine Players - S. Pilau Cineclick - Celso Sabadin
Depois dos bons resultados obtidos com a comédia romântica Alguém Tem que Ceder, a roteirista e diretora Nancy Meyers retoma o tema do amor na meia-idade com seu novo Simplesmente Complicado. Novo? Talvez, nem tanto. Não fosse o casal central – vivido agora por Meryl Streep e Alec Baldwin, e não mais por Diane Keaton e Jack Nicholson - o telespectador ficaria com a impressão de estar diante de uma continuação. Ou, no mínimo, de uma variação sobre o mesmo tema.
A protagonista é Jane (Streep), dona de uma belíssima padaria, mãe de três filhos, que levou nada menos que dez anos para se recuperar emocionalmente do divórcio com o advogado Jake (Baldwin). Somente agora ela tem forças para, finalmente, tocar a vida em frente e realizar a tão sonhada reforma em sua casa (na verdade, uma metáfora para a reforma da própria vida).
Porém, é justamente neste instante que Jake sedutoramente se reaproxima de Jane, diz que seu casamento atual está falido e quer voltar. I Leia mais Depois dos bons resultados obtidos com a comédia romântica Alguém Tem que Ceder, a roteirista e diretora Nancy Meyers retoma o tema do amor na meia-idade com seu novo Simplesmente Complicado. Novo? Talvez, nem tanto. Não fosse o casal central – vivido agora por Meryl Streep e Alec Baldwin, e não mais por Diane Keaton e Jack Nicholson - o telespectador ficaria com a impressão de estar diante de uma continuação. Ou, no mínimo, de uma variação sobre o mesmo tema.
A protagonista é Jane (Streep), dona de uma belíssima padaria, mãe de três filhos, que levou nada menos que dez anos para se recuperar emocionalmente do divórcio com o advogado Jake (Baldwin). Somente agora ela tem forças para, finalmente, tocar a vida em frente e realizar a tão sonhada reforma em sua casa (na verdade, uma metáfora para a reforma da própria vida).
Porém, é justamente neste instante que Jake sedutoramente se reaproxima de Jane, diz que seu casamento atual está falido e quer voltar. It's Complicated, como diz o título original do filme, pois a situação agora é bem diferente: além dos três filhos – agora praticamente adultos – envolvidos, ainda há os sentimentos de uma outra criança a serem levados em consideração: Pedro, enteado de Jack neste seu segundo casamento. Isso sem falar do arquiteto Adam (Steve Martin), que comanda a reforma na casa de Jane, que também entra na disputa pela interessante divorciada.
O filme se apóia mais nos aspectos românticos que propriamente nos cômicos. É, por assim dizer, muito mais um Romance Cômico que uma Comédia Romântica. Ainda que emoldurado por boas interpretações, belos cenários, locações típicas de revistas de decoração, figurinos idem e fotografia exuberante, sente-se claramente a falta de conteúdo. Percebe-se o receio de não abordar o tema do amor na meia-idade de maneira um pouco mais aprofundada. Lamenta-se a opção pelo comercialmente aceitável, abrindo mão de uma discussão que poderia ser das mais enriquecedoras.
Claro está que, em se tratando de um filme com um pé fincado na comédia, Nancy Meyers opta pelo puro e simples entretenimento. Não é um demérito. Mas mesmo assim são 120 minutos que perdem o fôlego durante a projeção, principalmente pela carência de diálogos mais espirituosos ou situações mais bem tramadas. E num filme tão dialogado como este (a impressão que se tem é que nunca ninguém para de falar), um texto mais elaborado teria sido muito bem-vindo.
Os melhores momentos acabam ficando com o ótimo coadjuvante John Krasinski (do seriado The Office), no papel de Harley, o noivo da filha de Jane. Com desenvoltura e bom timing cômico, ele lembra Brendan Fraser no começo de carreira. Preste atenção também na tocada bossa nova da trilha sonora, co-assinada pelo brasileiro Heitor Pereira, que já tocou com Ivan Lins e Simply Red, entre outros.
Indicado a três Globos de Ouro (não levou nenhum), Simplesmente Complicado é um entretenimento descompromissado para ser visto a dois. De preferência, dois que não exijam muito de uma noite no cinema.
Fonte: Cineclick - Celso Sabadin
Ator principal
477,000
Meryl Streep Steve Martin e Alec Baldwin. Muito bom,com certeza o que faz o filme ser tao bom, são as atuações e a direção.O roteiro não é muito original.
Mas é muito engraçado e fica leve, gostoso, divertido.
Vale a pena conferir